
Foi difícil conseguir ingresso no dia da estréia e dá pra entender por que - Bruna Surfistinha é um dos projetos mais comerciais imagináveis, ainda mais no Brasil: história de fama e sucesso + baseada em fatos reais + mulher bonita + muita cena de sexo. Tem como fracassar?
O filme tem uma estrutura batida de ascensão e queda - mas a parte da ascensão é muito boa, pois o fato de ser a ascensão de uma prostituta torna tudo muito original e divertido. Deborah Secco está tão bem, tão natural, que ela anula qualquer tom de crítica que pudesse haver na história - a gente acompanha o filme como se fosse de fato uma história de sucesso convencional e não houvesse nada de errado em se prostituir. Numa festa de aniversário, já famosa, ela sobe no palco e faz um discurso pros convidados, dizendo coisas do tipo "acreditem em seus sonhos", "não desistam nunca" - não há um tom de ironia aqui, nem nela nem no filme - ela diz isso realmente acreditando que "chegou lá".
O melhor do filme são as partes bem humoradas - quando ela seduz o policial pra se livrar de uma multa, ou então as montagens mostrando os tipos de clientes que ela recebia. Quando ela começa a abusar das drogas e o filme entra na fase da decadência, a energia cai um pouco, mas mesmo aí ouvimos pérolas de Bruna, como a frase instantaneamente clássica que ela grita num corredor cheio de homens "Hoje eu não vou dar. Eu vou distribuir!".As cenas de sexo são mais ousadas do que eu imaginava; muita gente vai achar o filme pesado. Eu não achei não. Aliás, muito pelo contrário - saí da sala leve, pois o filme me "ensinou" uma coisa importante: que existe muito menos doença no mundo do que eu imaginava... Se ela fez tudo o que fez e ainda está viva, quer dizer que é muito mais difícil contrair doenças do que eu imaginava!
Bruna Surfistinha (BRA / 2011 / 109 min / Marcus Baldini)
INDICAÇÃO: Quem gostou de Meu Nome Não É Johnny, 2 Filhos de Francisco (mas não leve as crianças).
NOTA: 7.0





























